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sábado, 31 de julho de 2010

Marcelo II

Gosto de simples
E de floreações
Por sobre o pegão
E do burro de carga

A enseada
Sob a chuva
E o azedume mordido
Daquela curva sinuosa

Marcelo I

Dançar. No chão
Deitados como
Bombom mordido
Esquecido dentro da boca.

A lagartixa já não canta
O céu já não ferve
Mas eu ainda gosto
Eu ainda vou morrer.

Caleidoscópio ambulante
É a minha mente
Essa gente ingente
Que não gosta de chocolate branco.

Álcool e cigarros,
Sorrisos e pigarros,
Manifestação amorfa,
E compreensível.
E gostosa.

Cheiro de lixo,
No luxo dos seus olhos vermelhos.
É tão gostoso que
Eu respirei profundo.

Eu quero minha digital na sua pele
Porque mesmo em eclipse
Lua e Sol não se tocam,
Tocam?

Seu toque me queima
Cinzas cor-de-alaranjado
Rosa, verde e roxo,
E as outras cores também.

O azul é bom.

Me abraça e dorme.
Vou dormir, me abraça.
E não faça mais
Nunca mais.

Não...






(é uma série de poemas meus, que eu chamo de Marcelo)

terça-feira, 13 de julho de 2010

O Ideal

Meu sonho era sonhar o mundo,
Como ele poderia ou deveria ser.
Pensar nas suas regras e como
Elas poderiam ou deveriam reger.

Deveriam fazer, construir,
Estudando de Platão a Nietzsche,
Aquilo que seria o mais ideal,
Para descobrir que o ideal não existe.

Ainda.

domingo, 11 de julho de 2010

Merencória beleza

I
Ser triste é, também, uma beleza,
Beleza que conhece a lua,
Que prata, ilumina minha pele nua,
Ilumina minha pobre natureza.

Ser alegre é uma proeza,
Que o jovem iludido concebe,
Antes que a vida tombe com peso,
Por inteiro sobre sua cabeça.

II
Ilusão não é sempre falácia,
Pode mover-nos para frente,
Como abelha fremente,
Que acha a flor com eficácia.

Dê-lhe uma ilusão - não quero -,
E o homem vive mais mil lastros,
E olhando para seus rastros,
Trabalhará com mais esmero.

III
Dê-me, então, a verdade,
Mas não me faça chorar,
Pois a verdade é como um altar.
Lá se reza o amor e a maldade

A verdade é como velho pesqueiro,
Que vive em barco lacustre.
Mesmo que na pesca se frustre,
Não deixa o lago, por inteiro.

A verdade é como o que sinto,
E que sente você, dentro em mim.
Que por mais que faça barulho,
É, para alguns, bala de festim.

E com esta bala, atiro em mim mesmo,
E me mato, em funda agonia,
Depois saio atirando a esmo,
Como se estivesse vivo, com alegria.

E brandi a palavra, embalado em melancolia,
Como se estivera vivo, algum dia...




* * *

sábado, 10 de julho de 2010

Um poema chamado Amor

Um poema chamado amor:

Hoje torci o pé.
Nossa, doeu demais...





* * *

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Triste esperança

O amor fala
[Palavras silenciosas]
Que só quem ama escuta
A frase, que, absoluta
É melodia e prosa

É um amor maior
[Ele olha para o Alto]
E vive dentro do peito,
Errante e escorreito
[Como mendigo no asfalto]

Na vida que vive,
Ainda que bem quisto,
Por detrás de minhas costelas
Se sente em uma cela
[Ergástulo sinistro]

Vira, e ainda vê
De Deus o feitio,
A epítome da beleza
A mostrar sua lhaneza
[Quebrantada pelo frio]

Olhando para frente,
Ainda sente o passado
[Ele o quer e o namora]
Ele adora. Muito embora,
Corre azafamado

Esperando e sonhando
[Ao provar flores amargosas]
Quando a vida ao chão se eiva
Ele dá à sua mente a seiva
De realidades esplendorosas

Guarda um trevo
[Verde cardiopétalo]
Que te dá sorte e força
Ama a Deus e ama a moça
E vai com o mundo [é seu bucéfalo]

E triste, vê os montes
Vê o rio que corta as alterosas
Como corta meu coração
A sua alta canção
[Que alimentam terras viçosas]

domingo, 4 de julho de 2010

Ideal Meal

D’you doubt that we could bring
To this world a new ideal?
If you doubt, come with me
And we will start to cook a meal