I
Ser triste é, também, uma beleza,
Beleza que conhece a lua,
Que prata, ilumina minha pele nua,
Ilumina minha pobre natureza.
Ser alegre é uma proeza,
Que o jovem iludido concebe,
Antes que a vida tombe com peso,
Por inteiro sobre sua cabeça.
II
Ilusão não é sempre falácia,
Pode mover-nos para frente,
Como abelha fremente,
Que acha a flor com eficácia.
Dê-lhe uma ilusão - não quero -,
E o homem vive mais mil lastros,
E olhando para seus rastros,
Trabalhará com mais esmero.
III
Dê-me, então, a verdade,
Mas não me faça chorar,
Pois a verdade é como um altar.
Lá se reza o amor e a maldade
A verdade é como velho pesqueiro,
Que vive em barco lacustre.
Mesmo que na pesca se frustre,
Não deixa o lago, por inteiro.
A verdade é como o que sinto,
E que sente você, dentro em mim.
Que por mais que faça barulho,
É, para alguns, bala de festim.
E com esta bala, atiro em mim mesmo,
E me mato, em funda agonia,
Depois saio atirando a esmo,
Como se estivesse vivo, com alegria.
E brandi a palavra, embalado em melancolia,
Como se estivera vivo, algum dia...
* * *
domingo, 11 de julho de 2010
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