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segunda-feira, 5 de julho de 2010

Triste esperança

O amor fala
[Palavras silenciosas]
Que só quem ama escuta
A frase, que, absoluta
É melodia e prosa

É um amor maior
[Ele olha para o Alto]
E vive dentro do peito,
Errante e escorreito
[Como mendigo no asfalto]

Na vida que vive,
Ainda que bem quisto,
Por detrás de minhas costelas
Se sente em uma cela
[Ergástulo sinistro]

Vira, e ainda vê
De Deus o feitio,
A epítome da beleza
A mostrar sua lhaneza
[Quebrantada pelo frio]

Olhando para frente,
Ainda sente o passado
[Ele o quer e o namora]
Ele adora. Muito embora,
Corre azafamado

Esperando e sonhando
[Ao provar flores amargosas]
Quando a vida ao chão se eiva
Ele dá à sua mente a seiva
De realidades esplendorosas

Guarda um trevo
[Verde cardiopétalo]
Que te dá sorte e força
Ama a Deus e ama a moça
E vai com o mundo [é seu bucéfalo]

E triste, vê os montes
Vê o rio que corta as alterosas
Como corta meu coração
A sua alta canção
[Que alimentam terras viçosas]

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