Haverá um dia
Em que só falarei de coisas doces
E tudo parecerá ventura
Como se tudo belo fosse
Olharão para mim
E verão um homem feliz
Que vive tranqüilo
É só coisas boas diz
Tenho muita coisa boa
De verdade, pra contar
Mas é, também, tanta coisa ruim
Que nem dá pra acreditar
O jeito é esquecer
O que de mal há
E tentar esta vida
Levar, completar
Eu vejo alguma luz
Consigo enxergar
Uma vela, lá longe, acesa
Que o vento ainda não conseguiu apagar
As tempestades de vento
Já me tiraram coisa demais
Está na hora de eu controlá-las
De eu fazer os vendavais
Mas tudo, claro
Silenciosamente
Sou correto, não faço mal
Faço o bem somente
O vento vai sair
De explosões do meu peito
E vai fazer tudo aquilo
Que eu quero que seja feito
Mas tudo que eu quero
É como se fosse nada
Quero somente
Seguir minha estrada
Nada de grande demais
Vai acontecer
Eu só quero encontrar
O meu jeito de ser
Se eu tivesse força
Ah se eu tivesse
A única força que eu tenho
É a força da prece
Oro no meu cantinho
Faço meus poemas
Vem-me a inspiração
E resolvo alguns dilemas
Eu estou até tranqüilo
Porque vejo essa chama ao fundo
Que queima gostosamente
E me faz, ao ter nada, ter tudo
Mas não tenho ainda
Nada mais que esperança
Ando com cuidado
Sempre em vigilância
Só peço ao sagrado Vento
Que não me apague esta última vela
Porque a única coisa que me faz feliz
É ter na mão, ainda, ela
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
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