I
Que querem, oh estrelas?
Que vivem em pompa e gala
Cada qual de vocês brilha lindamente
Mas olhando para os homens, nada fala
Expõem sua beleza suntuosa
Seu brilho majestoso
E vivem alegres, esbanjando
Seu material grandioso
Do falerno negro da noite
Bebem o vinho mais valoroso
E riem das realidades diversas
E seu riso, em luzes, é escutado por todos
Depois das noites festivas
São cobertas com anil véu
E dormem gostosamente, tranqüilas,
Nos recônditos mais calmos do céu
E em sua glória poderosa
E sua natureza rutilante
Que querem, oh estrelas
Com tal beleza emocionante?
Querem talvez dizer
Algo de importante
Se for, oh, digam logo!
Esperar é lancinante
Vocês vivem uma vida
De somente prazer
Não interessa o que aconteça
Vocês brilham até morrer
No cosmos espalham sua matéria
E a força da gravidade
Faz amarem-se umas as outras
Com graça e eternidade
Até a sua morte é um esplendor
Fulgem luzes em grande proporção
Forma-se então uma supernova
A partir de uma bela explosão
E dali nascem muitas outras estrelas
Formando nova constelação
Com também novos planetas
Onde, talvez, pessoas morarão
E vocês continuam aí
Mesmo depois de suas mortes
Eu só queria saber o que querem
E porque são assim tão fortes
Querem acaso humilhar
A triste e pobre humanidade?
Que tem tristeza, dor e fome
E não brilha com grandiosidade
Ou querem então
Algo nos ensinar?
Se sim, digam logo
Não consigo esperar
II
Estrelas tão queridas
Que inspiram os poetas
São dos homens para Deus
Os únicos e sublimes estafetas
As mensagens que vocês guardam
São preciosidades para nós
O céu é um imenso rio
E cada uma de vocês, foz
A água que corre aí
É tudo que nós desejamos
Beber da fonte do Alto
É sorver o que nós amamos
domingo, 2 de agosto de 2009
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